UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO
RIO DE JANEIRO
XXI
JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
Folclore no Ensino Fundamental: A Nau
Catarineta através do Teatro de Bonecos
Paolo Xavier Figueiredo Martins¹; Igor Luiz Oliveira Dias²;
Pablo Ferreira de Lima³ & Luciana Diláscio Neves4.
1.
Bolsista PIBID do Curso de Licenciatura Belas Artes da UFRRJ, Discente do Curso Licenciatura
Belas Artes da UFRRJ; 2. Bolsista PIBID do Curso de Licenciatura Belas
Artes da UFRRJ, Discente do Curso Licenciatura Belas Artes da UFRRJ;
3. Bolsista PIBID do Curso de Licenciatura
Belas Artes da UFRRJ, Discente do Curso Licenciatura Belas Artes da UFRRJ; 4. Orientadora:
Coordenadora do PIBID, professora do Curso Licenciatura Belas Artes da UFRRJ.
Palavras-chave:
Folguedo; Pesquisa; Encenação; Educação
Básica.
Introdução
Trabalho
desenvolvido por alunos que fazem parte do Programa de Iniciação à Docência –
PIBID do curso de Licenciatura Belas Artes da UFRRJ, em participação nas
escolas da educação básica vinculadas ao programa, neste caso, o CAIC.
Relacionados com o Evento Feira Cultural do CAIC, em setembro de 2010, foram
desenvolvidos uma série de trabalhos com a temática do Folclore e da Cultura
Popular. Dentre estes, desenvolveu-se
uma encenação – com os alunos do 7º ano do fundamental – a partir da idéia do
teatro de bonecos (sendo, no Brasil, o mamulengo, o mais típico destes teatros
de bonecos). Para o enredo, foi escolhido o tema da Nau Catarineta. A Nau Catarineta é tema encontrado no
folclore brasileiro, inspirado nas viagens marítimas portuguesas e retratando
seus episódios. Também recebe outros nomes, dependendo da região: Cheganças,
Fandango, Barca, Marujada. O tema da Nau à deriva no mar, narrando uma trágica
travessia oceânica está presente na literatura oral de vários povos de tradição
navegadora e, de certo, o fato de nossos colonizadores possuírem esta tradição,
favoreceu, com certeza, o aparecimento deste tema no imaginário brasileiro.
Forma teatral de enredo popular, convergências de cantigas brasileiras e
xácaras portuguesas, a Nau Catarineta é composta por 21 jornadas com diversas
coreografias e cantos narrando os acontecimentos da longa travessia. A mais
conhecida destas jornadas é o “Romance da Nau Catarineta” que após tantas
desventuras narra a última provação: a tentação diabólica e, então a
intervenção divina, levando a nau finalmente à terra firme. Tal tema narrando uma trágica e heróica
travessia oceânica havia sido satisfatoriamente escolhido, pois possuía grande
apelo entre os alunos do CAIC, empolgando e envolvendo a todos. Os enredos
foram então realizados a partir de uma recriação, uma síntese elaborada a
partir e inspirada nestas referências, convergindo o trabalho da encenação
propriamente dita, da confecção dos cenários e personagens, e das músicas
relacionadas ao tema; processo de trabalho desenvolvido pelos bolsistas PIBID
Belas Artes junto aos alunos do 7º ano do CAIC, durante o mês de setembro, com
a apresentação final do referido teatro de Bonecos na Feira Cultural do CAIC.
Materiais e Métodos
A
realização deste projeto pode ser dividida em três partes, ocorridas, por
vezes, simultaneamente. São estas: Pesquisa e levantamento das fontes,
confecção de material e recriação dramática do folguedo. Na primeira parte, foi
realizada uma pesquisa sobre as referências encontradas sobre a Nau Catarineta.
Em sua maioria, tais referências foram retiradas dos trechos dramáticos que
aparecem no livro “Danças Dramáticas do Brasil” de Mario de Andrade;
recolhimento de registros feito pelo folclorista nas suas andanças pelo país. A
confecção do cenário e dos bonecos foram os momentos mais importantes do
trabalho, pois os bolsistas, a partir do conteúdo adquirido nas pesquisas,
objetivaram tornar compreensíveis, para o grau escolar envolvido, as significações,
origens e ramificações do imaginário que envolve o folguedo da Nau Catarineta.
Para os cenários da Nau Catarineta foram utilizados tinta PVA e pigmento sobre
papel paraná. Os bonecos confeccionados partiram da pesquisa sobre os
mamulengos nordestinos, adaptando o feitio e o material, mas tendo um resultado
bem diferente. Buscou-se inspiração também nas esculturas da cultura popular,
em especial, referências de imagens de esculturas do Vale do Jequitionha. O
importante era o contato com uma diversidade de produção relativa à cultura
popular e, de modo que esta diversidade pudesse ser levada para o ensino
fundamental, se realizando através da observação de inúmeras referências da
cultura popular. Na última etapa, ou seja, a parte que se destinava aos ensaios
com os alunos do CAIC e à encenação propriamente dita, as referências musicais
e videográficas também tiveram o papel especial de guiar o roteiro e enriquecer
a dramatização dos bonecos. Assim, além do trabalho que resultaria na encenação
do auto, foram também realizadas atividades práticas de desenho e apresentações
interativas de música que visavam ir agregando outros conteúdos, aprofundando a
temática do folguedo. Com relação às músicas que envolvem a temática da Nau,
parte das que foram utilizadas na encenação foram retirada de um CD intitulado
“Mario de Andrade”, incluídas também nesta gravação as canções relativas a este
trabalho de recolhimento do poeta, com foco nos cantos que envolvem a Nau.
Outra referência musical utilizada foi o CD “Na Pancada do Ganzá”, de Antônio
Nóbrega, cujo título do CD, mais uma vez, está em consonância com o nome que o
poeta modernista havia dado ao conjunto dos registros feitos durante uma viagem
ao Norte e Nordeste. Outras interpretações de músicas de domínio público foram
utilizadas. Também foram recolhidos elementos sonoros para efeito de
sonoplastia. Estes efeitos sonoros e também recursos de iluminação foram
levados e discutidos com os alunos do fundamental, uma vez que estes recursos
foram utilizados no dia das encenações.
Resultado e Discussão
A
primeira parte do trabalho ocorreu no âmbito da licenciatura com a pesquisa e o
recolhimento de exemplos do fato folclórico em questão, através de fotos,
filmes (DVDs) e músicas. Em seguida, a questão girou em torno da elaboração de
propostas didáticas que permitissem que este imaginário folclórico fosse da
melhor maneira apreendido. Com os alunos do CAIC, utilizaram-se as fotos, os
filmes e músicas recolhidas em torno do folguedo, assim como a apresentação de
inúmeras imagens de outras manifestações populares que retratam e se inspiram
nos folguedos, tal como acontece na xilogravura e literatura de cordel. A
partir destas imagens visuais, sonoras e audiovisuais foram propostas
atividades com desenho e pintura. Todas estas imagens foram recolhidas por nós,
na licenciatura, com o objetivo de envolver os alunos do fundamental e tornar
compreensíveis os conteúdos sobre o folclore. Motivando sobre seu contexto,
procurava-se fazer refletir sobre suas origens e as contribuições vindas de
culturas distintas através do estímulo sobre a observação de elementos variados
e das nuances na forma de expressão presentes na manifestação cultural e nas
imagens apresentadas. Todas estas observações e contextualizações culminariam com
a confecção dos bonecos, cenários, os ensaios e o desfecho da dramatização.
Conclusão
Sobretudo,
no âmbito da licenciatura interessou-se pelo aprofundamento sobre as raízes dos
folguedos em terra brasileira – neste caso, A Nau Catarineta – , assim como sua
correlação com aspectos míticos da cultura universal e do imaginário de outros
tempos. Neste sentido, intencionava-se que as pesquisas dos licenciandos
caminhassem em paralelo com suas experiências didáticas, no intuito de fazer
refletir sobre maneiras como esta “profundidade” do folclore pode ser
“pressentida” dentro do nível de intelectualidade e maturidade próprias ao
fundamental.
Referências Bibliográficas
ANDRADE,
Mario. Danças Dramática do Brasil. Tomo 1º e 3º tomo. Belo Horizonte: Editora
Itatiaia, 1982.
ARAÚJO, Alceu Maynard. Folclore
nacional I. Festas, bailados, mitos e lendas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
BRASIL: Festa Popular por Cáscia Frade
e outros. Pref. De Câmara Cascudo. Rio de Janeiro: Livroarte, 1980.
CASCUDO, Câmara. Dicionário do Folclore
Brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1954.
LIMA, Rossini Tavares. Abecê do
Folclore. São Paulo: Martins Fontes, 2003.